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01-01-2010
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Iniciação na Umbanda
Considerações sobre a Iniciação na Umbanda

No Templo Sagrado de Umbanda , as iniciações acontecem em três níveis: Filosófico, Mediúnico e Ritualístico. Juntas, promovem o desenvolvimento da percepção e, conseqüentemente, a expansão da Consciência Espiritual.
A comunicação
mediúnica, também denominada incorporação, deve ocorrer na dimensão
espiritual e não no plano mental do médium. Por isso, é necessário trilhar o
caminho iniciático. Somente através dele o médium consegue, durante as
incorporações, transcender suas barreiras culturais, psicológicas e
emocionais.
A exemplo de outros processos, os estágios iniciáticos são gradativos e reconhecidos à medida que as etapas anteriores são plenamente cumpridas. Porém, quando mal interpretadas, as graduações podem estimular equivocadas relações de poder hierárquico entre os médiuns. Equívocos dessa natureza comprometem as oportunidades coletivas e limitam excessivamente as atuações dos iniciantes. São nocivas lacunas geralmente associadas a métodos iniciáticos inadequados.
Por não existir um método iniciático totalmente infalível, é preciso estabelecer critérios. Não devemos confundir critério com discriminação. No Templo Sagrado de Umbanda, os critérios pré-estabelecidos como normas reguladoras das iniciações fundamentam-se na compatibilidade entre os Princípios do iniciante e os do Templo.
Isto exige um período de carência que corresponde a seis meses de preparação filosófica antes da iniciação mediúnica propriamente dita. Neste período, tanto o Templo como o iniciando reconhecem entre si as reais possibilidades de harmonização.
Os Princípios filosóficos da Umbanda são, por natureza, universais, e independem de qualquer cultura ou tradição. Entretanto, cada Templo Umbandista tem o direito de interpretá-los e praticá-los conforme os seus fundamentos. Ainda bem que é assim, pois do contrário, teríamos mais uma religião estagnada em codificações dogmáticas e não dinâmica como é a Vida.
Enganam-se aqueles que pretendem fazer da sua verdade a verdade do outro. As iniciações devem visar a busca da Luz espiritual, e não a Verdade.
Todos nós somos espíritos encarnados e, consequentemente, se perecíveis no corpo físico, imortais em nossa essência que segue sua via evolutiva conforme as Leis Cármicas.
Entretanto, ainda estamos muito distantes dos princípios da espiritualidade superior, sendo prova disto a limitação que temos para perceber o Mundo Astral e também a nós mesmos em nossas várias encarnações, sem falar da situação das relações de troca injustas entre humanos e das infames guerras fratricidas.
A Umbanda ensina que sem a prática do Bem não há Salvação e que não se deve esperar a Iluminação sem se desvencilhar do Egoísmo, da Vaidade e do Orgulho. O caminho preconizado é o da Simplicidade, da Humildade e da Pureza.
Uma via longa e penosa quando se pretende sair da
Ilusão e, realmente, partir para a conquista destes altos valores do
espírito, capazes de nos libertar do obscurecimento consciencial a que
estamos submetidos.
Tão difícil é esta via que seria praticamente impossível atingir estes objetivos sem o auxílio dos Mestres da Simplicidade, da Humildade e da Pureza, transfigurados nas entidades que baixam nos terreiros de Umbanda.
Pela nossa
condição moral, não haveria como estes Mestres chegarem até nós, a não ser
pela mediunidade.
Assim, médiuns são aqueles espíritos que receberam,
antes da presente encarnação, determinados ajustes em seu Organismo Astral e
nas suas concepções morais, que possibilitem ceder sua constituição física à
comunicação mediúnica, trabalhando em prol da Caridade e da evolução,
própria e dos seus semelhantes. Este é um compromisso firmado entre este Ser
e os Espíritos da Confraria Cósmica de Umbanda antes do nascimento e que
deve florescer de maneira natural ao longo da encarnação do indivíduo.
A Iniciação é um processo contínuo, que se desenvolve
no decorrer de várias e várias encarnações dedicadas a este aprendizado,
também não acaba nunca pois é infinita a evolução espiritual e cada
minúscula porção de conhecimento trazido por um iniciado deve ser fruto da
sua própria vivência orientada por mestres.
A Iniciação de Umbanda não é vetada a ninguém, todavia pouquíssimos carregam este selo conferido pelas Hostes do Bem, como um legado cármico. Muitos ainda surgirão, e cada vez de maior porte.
Àqueles que iniciam agora a jornada, lembro que muitas vidas os aguardam e cada pequeno degrau é alçado às custas de um esforço indescritível, mas não impossível.

