UMBANDA É UMA RELIGIÃO
COMO ENCONTRAR O SEU TERREIRO DE UMBANDA...!
Por Pai Pedro de Ogum
(Obs: Leia com Atenção e aplique a "Mão de Deus" para que a Umbanda seja O
CAMINHO)
Já tenho tido a tentação de escrever sobre este assunto,
mas não sei, havia sempre qualquer coisa que me dizia que era melhor “ainda”
não levantar esta situação, pois as situações não eram propícias, ou sei lá,
o porquê...!
Mas hoje depois de ter recebido um telefonema de “Alguém”, que me colocou
questões sobre vários assuntos sobre a Umbanda, achei que era altura de
tocar finalmente neste assunto, que é a “Consciência de um Terreiro”.
Á pouco tempo, escrevi na Revista Portuguesa “Povo de Santo e Asé” um texto
que fala sobre a “Consciência de um Terreiro” num prisma generalista. Mas
após este telefonema desse “Alguém”, achei também que se deveria falar sobre
o prisma daqueles que nada conhecem, e se interessam sobre o que é a Umbanda
.
É a esses que acho que me devo dirigir, pois são eles que serão a “Mão de
Deus”, que irá fazer prevalecer o verdadeiro sentido do que é a Umbanda.
Mas, voltando a esse “Alguém”, ele questionou-me, sobre Rituais, formas de
Rituais, Incorporações, etc....
E qual é o meu espanto, quando ele me diz que ia muitas vezes a uma loja de
produtos esotéricos e que essa loja se iria transformar num terreiro de
umbanda.
Ele comentou sobre o que se passava .... que a incorporação foi de uma
“Pomba Gira”, que a “incorporação” era de uma determinada forma, que tomavam
banho de uns líquidos vendidos nessa loja....e sei lá eu mais o quê.
Eu pessoalmente, não estou contra nada disto, pois da mesma forma que a
Umbanda começou (faz este ano – o 1º Centenário), sempre houve uma
determinada quota de empirismo desde o seu começo, mas.......existem
FUNDAMENTOS que nunca se podem alterar, sejam de que forma for, e esses
Fundamentos, só podem existir se o conhecimento, a prática, a liturgia, a
teologia e o ritual estiverem verdadeiramente fundamentados.
Não se pratica Umbanda, chamando a qualquer entidade de Pomba Gira, Exu,
Preto Velho, Caboclo, pois ao não ter a preparação devida, os conhecimentos
iniciáticos, ritualísticos, doutrinários, e os respectivos sacramentos
necessários para o exercício do Sacerdócio de Umbanda, aquilo que praticamos
é puro charlatanismo com sérias responsabilidades espirituais, tanto para
quem o pratica, como para aquele que participa.
Para quem não sabe nada sobre esta questão, basta falar sobre o Ritual de
Gira, que é o Climax do verdadeiro encontro espiritual entre nós,
passageiros de um barco chamado Vida, com aqueles que por abnegação,
cumprimento kármico, ou por razões que nós poderemos não conhecer,
humildemente dão a sua ajuda espiritual a todos os que os procuram.
Nada mais reconfortante para um Médium, que ter a honra de incorporar
tamanho grau de sabedoria, e ser ele o verdadeiro caminho de contacto entre
essa “Sabedoria” e a pessoa que precisa desse auxílio.
E sobre essa palavra Incorporação, posso afirmar que não cansa nada, nem
ficamos prostrados, pelo contrário alivia-nos de cargas, e prenche-nos de
energia benéfica.
Mas.........O Ritual também pode ser exactamente o contrário, poderá ser
cansativo, cheio de problemas ritualísticos e de incorporações, e, aquela
pessoa que humildemente foi á procura de um auxílio, de uma palavra, de algo
que ele até áquele momento não encontrou, depara-se com um Ritual
tipicamente borlesco, em que imperam sempre as figuras das tão famosas Pomba
Giras e de Exus, e outras figuras de reconhecido mérito espirtual, mas que
em vez de serem cultuados como verdadeiramente o deveriam ser, são meros
objectos de supostos poderes que essas pessoas desejariam ter, e como
resultado essa pessoa que tão ardentemente necessita de ajuda, só vai
encontrar temor, sujeição, sacrificio e claro uma conta bancária com uns
zeros a menos.
Umbanda, é outra coisa completamente diferente disso tudo, Umbanda é uma
Religião, uma Filosofia de Vida, um encontro entre o Espiritual e o Ser
Humano, Umbanda é Alegria, é onde se encontra o Mais Sagrado no seu todo,
pois a Mãe Natureza(Onile) faz parte desse mais Sagrado.
Mas para que essa Comunhão do Espiritual – Ser Humano – Natureza exista, tem
de se saber abrir e fechar o PORTAL que nos liga a essas Entidades, sejam
elas Caboclos, Pretos Velhos, Exus, etc, e é aí que entra o/a Sacerdote
devidamente preparado/a e fundamentado/a.
Esta situação faz-me lembrar um encontro que tive com algumas pessoas sérias
envolvidas na Umbanda, em que o tema era a quantidade de supostos Pais de
Santo, que se fazem actualmente nas viagens aéreas entre o Brasil e
Portugal.
Pessoalmente, mais uma vez, nada tenho contra esse tipo de pessoas, pois não
sei exactamente quais serão os seus verdadeiros propósitos, mas sei
concerteza uma coisa que eles não sabem, é que, ao não saber abrir esse tal
Portal que falei acima, poderão abrir outro Portal, aonde se encontram os
Espiritos de baixo teor evolucionário e que a energia densa dessas camadas,
ao encontrar uma forma de se poder expandir, vai concerteza, adquirir novos
campos de actuação, que são exactamente as pessoas que estão envolvidas
nesse ritual.
Costumo descrever o seguinte sobre o Ser Humano, relativamente á Umbanda.
Da mesma forma que a Igreja tem a Nave e o Altar dentro do seu local mais
sagrado (que é a Igreja), para nós Umbandistas o nosso corpo é a Nave e a
nossa cabeça o Altar , portanto ao considerarmos que ao sermos portadores de
uma centelha da Luz Divina, somos sempre um local sagrado.
(Tenha portanto sempre muita atenção, aonde vai meter a sua “Cabeça”).
Ao entrar num Terreiro, seja ele qual for, seja observador, e dê atenção ao
seguinte:
Não interessa como o Dirigente está vestido, se pomposamente, se demasiado
rústico, se é bastante conversador ou bastante distante, o que realmente
mais interessa na sua avaliação, é aquilo a que eu chamo a “Mão de Deus”,
veja quantos filhos e assistentes estão felizes, e se você é recebido com
carinho.
Veja também se essa comunidade que ali está presente é uma comunidade no seu
verdadeiro valor, ou se é uma comunidade dividida por pequenos interesses e
intrigas.
Portanto, seja observador!
Para mim, o que continua a ser o mais importante de tudo, é reparar na
Felicidade e na Alegria de todos os participantes nesse ritual. Pois é essa
Felicidade que se pode encontrar verdadeiramente na Umbanda.
Esta Felicidade faz-me lembrar a reportagem que fizeram no Templo Sagrado de
Umbanda, em que o repórter Ton Quinn dizia:
“Ao longo dos anos eu vi Deus / deuses serem adorados de todas as maneiras
diferentes. Senti o peso da culpa do Catolicismo e tive o demónio dos
Mormons tirado de mim por evangélicos de boas intenções mas totalmente com
“falta de um parafuso.” De uma vez participei mesmo num serviço dos
“Surfistas em Cristo”, mas nunca tinha visto um grupo que apreciasse a sua
religião tanto como os Umbandistas...... Apesar de ter achado partes dos
rituais estranhos e até mesmo aterradores, os efeitos positivos que eles
tiveram na congregação foram inegáveis. Aqueles que chegavam cansados e
stressados depois de um dia de trabalho, saíram em forma e relaxados.
Enquanto que algumas pessoas religiosas (eu incluído) procuram activamente
escapar a um serviço na igreja, estes Umbandistas contorcem-se para evitar
faltar a um ritual.
“Estou aqui todas as semanas, pelo menos uma vez por semana,” disse um
membro. “Se fico preso no emprego e não posso vir, fica tudo descontrolado.
Parece que alguma coisa está faltando.””
(Revista NEW STATESMAN )
Bom, e já que entrei neste assunto, não me poderia esquecer de outro tema,
que pela minha opinião deturpa o verdadeiro sentido da “Religião Umbanda”,
que é a “movimentação da magia”, pois este é o assunto que termina qualquer
consulta com as Entidades.
Os banhos, os Ebós (Oferendas), não são formas fantasistas de exercer magia,
são sim parte de um ritual completo que é, e sempre será um acto com
responsabilidade espiritual, pois seja uma Entidade ou o Médium “AFIRMAR” a
alguém que esse alguém tem de fazer uma determinada oferenda a uma
determinada entidade, essa Entidade ou o Médium será cobrado na parte
espiritual, seja qual for o teor da oferenda.
O MERECIMENTO é sempre a melhor forma de se poder colher grandes benesses
espirituais, pois significa que na nossa contabilidade kármica também existe
a possibilidade de se receber créditos, e não somente pagar, como é o mais
normal de se falar, quando se fala sobre o Karma.
No entanto, quando esse “Merecimento” não existe, e existe a possiblidade de
se poder exercer a “movimentação da magia”, então é nessa altura que nós
jogamos sériamente no nosso Karma, pois estamos nesse momento actuando
directamente no Karma, e concerteza iremos ser cobrados sobre essa
iniciativa, tenha ela a energia (positiva/negativa) que tiver.
Sobre outro tema que gostaria de falar, era o dos vários tipos de banhos,
visto ter já ouvi falar, até de banhos preparados em frascos... pois aquilo
que lhe posso dizer, é o que de mais antigo existe nos cultos da nação
(Candomblé e outros) que é o seguinte:
Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, Sem folhas não há orixá
Portanto, para qualquer Sacerdote de Umbanda as folhas são
Fundamentais para produzir-se os efeitos devidos que o Banho (Ritual) vai
ter sobre a pessoa.
Um bom exemplo desta situação é como se pode saber se um banho é de descarga
ou de protecção, se é pela qualidade das ervas ou pela forma de realização
do ritual certo.
Pois eu afirmo que somente terá resultado, se forem os dois em conjunto,
pois de outra forma terá os seus benificios bastante reduzidos, para não
dizer anulados.
Faz-me lembrar o ponto de Umbanda, em que diz: “...Umbanda tem fundamento/ É
preciso preparar.”
Outro assunto, que também gostaria de falar era de todo o dialeto que é
produzido neste tipo de actividade religiosa, que sómente serve para
esconder falhas de conhecimento, de ritualística e principalmente de bons
Principios Éticos, Sociais e Culturais.
Para quem nada conhece sobre este tipo de fala, será concerteza uma
novidade, que provávelmente achará alguma curiosidade, mas fique sabendo que
essas palavras são sempre usadas com toda a reverência e respeito, pois
essas palavras são sem duvida portadoras de grande “ASHE” ou AXÈ” ou “ASÈ”,
que significa “FORÇA”
Concerteza, nunca irão encontrar um Sacerdote com responsabilidade na
Umbanda ou nos Cultos Afro, usar essa terminologia em vão, irão sim
encontrar reverência e o sagrado na sua mais pura forma, pois são essas
palavras que lhe dão o “Ashe” para poder movimentar a magia.
Essa é a verdadeira responsabilidade de se ser Sacerdote.
Mas ainda há mais, e essa é a Grande Responsabilidade de um verdadeiro Pai
ou Mãe de Santo, é a de ter a sensibilidade, na hora em que chegar uma Filha
ou um Filho de Yemanjá, de Oxum, de Yansã ou de Nanã ou outra força natural
em sua casa, ele ou ela (Pai ou Mãe de Santo) terá que escutar o barulho do
mar, da cachoeira, dos ventos, da sabedoria, da mata, ou dos rios, dentro
dessa pessoa nova.
Tem de perceber que aquilo é o Ouro da pessoa, que é como um diamante, a
coisa mais preciosa para o seu terreiro
E por isso deve abrir todos os caminhos para que aquela pessoa possa chegar.
Na verdade, o que está a acontecer, é que está a receber o verdadeiro ouro
da casa, a grande riqueza e não o contrário.
Essa pessoa que chega ao Terreiro traz consigo o seu tesouro para dentro do
Terreiro, e o problema que a fez chegar, pode ser tão pequeno, que uma boa
conversa será a solução mais adequada para que o problema seja resolvido, e
não se torna necessário mexer com grandes forças.
É só uma questão de organizar-se um pouco o seu equilíbrio na vida.
O que nós todos procuramos, é a ciência, o conhecimento, a sabedoria, porque
a espiritualidade, nós já carregamos dentro de nós mesmo e simplesmente ela
pode apenas estar adormecida.
Umbanda é uma Filosofia de Vida, pois torna-se necessária para aqueles que
procuram respostas tão convincentes quanto possível para os problemas da sua
vida.
Embora sejam questões que, mais cedo ou mais tarde, atingem qualquer ser
humano, para alguns torna-se vital esclarecê-las.
E outra questão séria que se nos põe no mundo ocidental é que nem sempre se
encontra resposta nas mais importantes Religiões, pois elas criam distância
entre nós e Deus, mas na Umbanda o Ser Humano é o portador do Sagrado, é
portador da Centelha Divina.
A melhor resposta para aqueles problemas e a melhor idéia que se pode ter de
Deus é a de uma confluência ou harmonização entre o melhor que há das
religiões ocidentais e africanas proporcionada pela interpretação
filosófica, teológica, ritualística mais consensual e generalizada.
A Umbanda trata do mundo fantástico e misterioso da Mediunidade, do
Espírito, da Natureza, no perfeito contacto entre os Seres Espirituais,
portadores de grandes energias benéficas, no encontro com o seu Ritual, no
encontro com o que há de mais sagrado em nós mesmos.
Umbanda é o componente constituinte de tudo o que existe na Natureza do Ser
Humano.
“O papel de todo o Religioso é despertar a espiritualidade nas pessoas que o
procuram, e todo o movimento deve ser convergido para isso.”
Para mim, isto é A Verdadeira Umbanda.
Pai Pedro de Ogum