Processo Ritualístico
Considerações sobre a Iniciação na Umbanda

O ritual intra-uterino, no qual iniciamos a vida neste mundo, estará sempre presente em nossa memória e por toda vida se repetirá.
Tal qual um processo iniciático, a gestação nos impele a refletir sobre ritos da natureza e seus efeitos sobre nossa evolução. Sons, cores, movimentos, ritmos, espaços, fazem de cada momento oportuno um espetáculo único.
É, sem dúvida, um grande ritual iniciático. É como se toda humanidade estivesse integrada num só Ritual. É a dança Sagrada de Deus que, na cadência da Vida, nos faz existir.
Diante da grandiosidade de existir e perceber a própria existência, só nos resta compreender a dinâmica das diferenças. É preciso Ser o contraste para perceber a coincidência.
- É preciso Morrer para Renascer.
- É preciso sentir para pensar em sentir novamente.
As iniciações que a Vida nos oferece também abundam em preceitos e fundamentos.São ritos iniciáticos comprometidos exclusivamente com as transformações e mutações da Natureza. Construir e destruir para reconstruir. Esta é a regra do mundo. Isto é não ao conformismo.
Imitar os feitos da Natureza e tentar repeti-los de forma ordenada, sempre foi e será uma positiva e eterna paixão do Homem.
As grandes conquistas e descobertas aconteceram a partir das observações de fenômenos naturais. As técnicas utilizadas nas navegações marítimas e aéreas, os cantos, as danças, são alguns exemplos que demonstram a importância dos rituais da Natureza em todas as épocas e para todos os fins.
A Umbanda, na condição de religião natural, não necessariamente naturalista, tem o compromisso de instruir seus adeptos a encontrar na Natureza as energias indispensáveis a uma vida espiritualmente saudável. Porém, isto não se faz apenas com a intenção. É preciso ritualizar. "Seguir o curso dos rios". "Ouvir as pedras e Ver a Palavra de Deus".
No Templo Sagrado de Umbanda, as Iniciações ritualísticas acontecem em três etapas:
A primeira visa a integração do iniciando com a Natureza através de exercícios elementares voltados ao desenvolvimento da sensibilidade.
A segunda propõe uma série de actividades ritualísticas destinadas ao desenvolvimento da capacidade de estabelecer, com as diferentes Linhas, uma relação vibratória equilibrada.
Finalmente, a terceira etapa refere-se a um programa teórico, associado a práticas, no qual o iniciando aprende a dirigir e realizar diferentes ritos.